inter-entre-faces

entreFACES – 2009
Telepresença - Evento Peformatilha - Museu de Arte Contemporânea da Paraíba.
entreFACES - Vídeo - 2009 - III Simpósio Nacional da ABCiber, eixo temático “Vigilância, ciberativismo e poder”, e , editado a partir do registro de trabalho em telepresença realizado no evento Perfomatilha.
Em: https://vimeo.com/39118194
 
...algumas considerações:

Transfaces: inter-entre-faces (Luiza Helena Guimarães)

Trata-se de especulações relativas tanto à temporalidade das ações tecnologicamente mediadas quanto às interfaces homem-máquina a partir de uma telepresença denominada inter-entre-faces. Na telepresençaa articulação entre os tempos das interações dos corpos, com as câmeras, sons e delays são operadoras da poética. inter-entre-faces se constitui em um dispositivo performativo instalado no espaço expositivo e na internet, sendo sua narrativa produzida em tempo atual. É pelo fato dos softwares e hardwares modificarem as características da performance que eles integram a linguagem desta experimentação.

Os prefixos gregos inter e entre dizem respeito a uma posição intermediária. Relacionando-os às “faces”, inter – entre - faces se traduzem sempre por um movimento entre. Pode referir um movimento para fora (exfaces, efaces) ou um movimento para dentro (introfaces) ou passagem para um estado (infaces, emfaces, enfaces) ou um movimento para trás (retrofaces) ou ainda um movimento de baixo para cima, de inferioridade (subfaces, sobfaces, sufaces, sofaces), só faces, apenas faces, um movimento para além, movimento através, perfaces, trasfaces, tresfaces, transfaces.

inter-entre-faces faz um circuito entre espaços virtuais, superfícies imagéticas e corporal. Pinto a imagem da ressonância magnética de meu cérebro em meu rosto. A ação é filmada e as imagens obtidas são projetadas no ambiente onde realizo a performance e transmitidas via internet por meio de webcam, podendo ser ou não projetadas em outros espaços quais quer. Nesta transmissão, por causa do delay, a visualização das imagens em meu monitor é sempre posterior a pintura que realizo. Portanto, o que vejo é o que já pintei e não o que pinto. Cabe ainda ressaltar que a imagem produzida por meio da webcam não é espelhada, ou seja, ela não é invertida. Disto temos que através de webcam percebo minha imagem de acordo com modo pelo qual os outros me vêem e não invertida como ocorre em frente ao espelho.  Então, pinto meu rosto de acordo com a ressonância magnética de meu cérebro, porém percebo a imagem não apenas sem ser espelhada, como também ao mesmo tempo ou depois que os outros me vêem. Uma sonoridade é produzida por meio de microfones de contato fixados em meus dedos, marcando o ritmo da ação de pintar meu próprio corpo.

O dispositivo artístico inter-entre-faces é tributário de trabalhos que realizo em arte desde 2002, como: interFACES[1] - 2009, Mente que Mente – 2006, Catedral de Cérebros[2] - 2004 e Senha/Teu Limite[3] - 2002. Também ressoa parte de minha pesquisa acadêmica, atualmente voltada para experiências de pós-cinema.

[1] Titulo de um vídeo apresentado no III Simpósio Nacional da ABCiber, eixo temático “Vigilância, ciberativismo e poder”, e , editado a partir do registro de trabalho em telepresença realizado no evento Peformatilha no Museu de Arte Contemporânea da Paraíba.

[2] GUIMARÃES, Luiza. H. F.,CATEDRAL DE CÉREBROS (Interferência Arquitetônica), , 2004. II Interculturalidades - Mafuá: a poética da miscigenação - Galeria de Arte – UFF – Niteró i- RJ

[3] GUIMARÃES, Luiza. H. F., SENHA-TEULIMITE (Interferência Arquitetônica), 2002. Galeria Mira Schendel - RJ

 

Trabalhos relacionados:

Senha/Teu Limite - 2002

- http://luizaguimaraes.art.br/gallery/7/

  

Catedral de Cérebros - 2004

- Fotos e textos: http://luizaguimaraes.art.br/gallery/11/

 

 Mente que mente - 2006

- Vídeo: https://vimeo.com/106333947

- Fotos e textos: http://luizaguimaraes.art.br/gallery/9/